PF lança nova ofensiva contra fraude no INSS, recuperando bilhões por meio de descontos ilegais e operação Sem Desconto
A fraude no INSS voltou ao centro das investigações federais nesta quarta-feira, após a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União iniciarem uma nova etapa da Operação Sem Desconto. A ofensiva amplia o cerco contra associações, intermediários e ex-servidores suspeitos de envolvimento em descontos indevidos aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. As investigações já apontam cifras bilionárias e revelam que o esquema pode ter atuado durante anos sem o conhecimento de milhares de beneficiários.
As novas ordens judiciais estão sendo cumpridas em diferentes estados, com a Polícia Federal realizando 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico. As decisões foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, e além das buscas, a Justiça também determinou medidas constritivas para bloqueio de bens dos investigados. Segundo as apurações, os descontos ilegais ocorreram entre 2019 e 2024, com o valor total das fraudes investigadas podendo chegar a R$ 6,3 bilhões.
Em São Paulo, os investigadores estão cumprindo mandados contra entidades suspeitas de participação direta no esquema. Já em Brasília, as investigações miram as associações UNIBAP e ABENPREV. As investigações indicam que aposentados e pensionistas tinham valores descontados mensalmente de seus benefícios sem autorização formal. Na prática, os beneficiários eram registrados como associados de entidades sem sequer terem solicitado filiação. O esquema funcionava como uma cobrança automática diretamente nos pagamentos feitos pelo INSS, com muitos aposentados só percebendo os descontos após verificarem extratos detalhados dos benefícios.
Além disso, os investigadores afirmam que havia uma estrutura organizada envolvendo operadores financeiros, dirigentes de associações e possíveis facilitadores ligados ao sistema previdenciário. A operação também mira antigos integrantes do INSS e pessoas ligadas à administração das entidades investigadas. Em Pernambuco, a PF apura a participação de servidores e ex-servidores suspeitos de ligação com o esquema. Entre os investigados aparecem dirigentes de associações, operadores financeiros e ex-integrantes da diretoria regional do INSS. Parte dos alvos já responde a medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo monitoramento eletrônico. A nova fase da operação ocorre no Distrito Federal, em Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
